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6 de jan. de 2021

Protestantismo histórico: uma religião que talvez você não conheça

Para analisar o cristianismo oriundo (diretamente ou indiretamente) da Reforma Protestante do séc. XVI é sempre necessário fazer algumas explicações e estabelecer alguns conceitos, pois os termos usados (protestantes e evangélicos) se tornaram genéricos demais e não servem para definir com precisão a identidade religiosa de alguém. Por exemplo, considerando que o Brasil é um país majoritariamente cristão e com mais de 40 milhões de evangélicos, se alguém me diz que é evangélico, isso me diz pouca coisa e eu sempre preciso fazer mais duas ou três perguntas pra entender melhor qual a identidade religiosa dessa pessoa. A polarização política em nosso país também evidenciou visões diferentes de Deus dentro da religião e acirrou a distância entre grupos protestantes/evangélicos (inicialmente estou tomando protestante e evangélico como sinônimo, mas logo nós precisaremos fazer uma distinção). 

Lincoln's First Presbyterian Church, uma igreja Protestante histórica

Me reconheço enquanto protestante histórico e para explicar melhor vou começar falando um pouco do protestantismo norte-americano.

3 de fev. de 2020

Cachimbo e a Religião (Rubem Alves)

Karl Barth "pipando"
Ano de 1965. Estava em Princeton fazendo um doutorado, fugido dos militares e dos poderosos da Igreja Presbiteriana do Brasil. Eram farinha do mesmo saco.

A maioria dos meus colegas de doutoramento fumava cachimbo. O cachimbo tem um charme intelectual, combina com sabedoria e filosofia... Eu gostava do ar perfumado das salas onde tínhamos nossas discussões. Respirava fundo. A fumaça dos cachimbos me fazia lembrar as cozinhas mineiras de fogo e fumaça. Mas nunca me passou pela cabeça fumar cachimbo.

22 de mai. de 2019

Como fazer teologia da libertação [Resenha]

BOFF, Leonardo; BOFF, Clodovis. Como fazer teologia da libertação. 10. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. 140 p.

AUTORES
Leonardo Boff nasceu em 1938, doutorou-se em teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis e professor de Ética, Filosofia da religião e Ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Clodovis Boff nasceu em 1944. É frade da Ordem dos Servos de Maria. Doutorou-se em Teologia pela Universidade de Lovaina. Atualmente é professor na Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

12 de jul. de 2018

O Ecumenismo em João Calvino

Charge por Patrick Chappatte, após visita ecumênica
do Papa Francisco em Genebra em jun. 2018.
Texto extraído do livro O Humanismo Social de Calvino, de André Bieler. p. 66-69.

Ao envolverem-se nas lutas do século XVI, nem Calvino nem os outros reformadores foram animados pela ideia de combater por verdades estritamente religiosas ou eclesiásticas, ou pela proteção de alguma igreja. O que os apaixonava, antes de mais nada, era o desejo de redescobrir e de fazer triunfar, na sua integridade, a verdade sobre Deus e sobre os seres humanos. Pretendiam, a todo preço, libertar a humanidade de toda forma de servitudes e, em particular, de suas mistificações religiosas. Apenas em segundo plano e como que levados pelas circunstâncias, fizeram-se adversários da instituição eclesiástica. Daí sua angústia ao notar que uma parcela da cristandade não tinha consciência do mal que sofria e que a própria igreja oficial os rejeitava de seu seio. Foi com imenso pesar que se viram obrigados a constituir igrejas separadas. E, mesmo chegando a esse extremo, nunca pensaram – Calvino particularmente – que formavam igrejas autônomas, definitivamente desligadas do resto da cristandade.

18 de mai. de 2018

O Calvino desconhecido... (Alguns apontamentos sobre João Calvino antes do Calvinismo)

por Zwinglio M. Dias*, em Tempo e Presença


“Toda a história moderna ocidental teria sido irreconhecivelmente distinta sem a perpétua influência de Calvino.”
(J. T. McNeill)

“Não é de todo fantasioso dizer que, em um palco menor mas com armas não menos formidáveis, Calvino fez pela bourgeoisie do século XVI o que Marx fez pelo proletariado do século XIX...”
(R. H. Tawney)

Introdução

Dizem que Karl Marx, ao ler um texto de apresentação do que se reputava como marxismo, ficou muito frustrado e declarou que se aquilo fosse marxismo ele não seria jamais marxista! Esta anedota ilustra muito bem o fato de que quase sempre os seguidores ou reduzem ou vão além daquele a quem dizem seguir ou representar. Eu penso que Calvino dificilmente se identificaria completamente com a maioria dos “calvinistas”, incluindo aqueles das primeiras horas, seja porque tenham tergiversado aspectos importantes de seu pensamento ou de suas propostas, seja porque não tenham entendido com clareza detalhes significativos de sua percepção global.

14 de mai. de 2018

O Cristianismo e a Revolução Social, de Richard Shaull

O cristianismo e a revolução social é um livro de 1953. Neste período já estava claro a crise do capitalismo e o espírito revolucionário sugeria que o comunismo estava próximo. A igreja protestante, muito fechada em si mesma, evitava se envolver nas questões sociais. 

É nesse contexto que Richard Shaull, missionário presbiteriano estadunidense atuando na América Latina, começa a desenvolver sua teologia. A leitura deste livro foi minha primeira aproximação ao pensamento do autor.

O livro tem 104 páginas e é divido em 7 capítulos: I) A Crise Atual - Oportunidade para o Comunismo, II) A Solução Marxista, III) Será o Marx-Leninismo a Resposta?, IV) O Encontro entre o Cristianismo e o Comunismo, V) O Cristianismo e o Proletariado, VI) A Responsabilidade dos Cristãos na Política, VII) O Repto Fundamental à Fé e à Vida Cristã.

Shaull, que no meu imaginário se encontra entre os primórdios da teologia da libertação, se mostra neste livro como um jovem missionário norteamericano preocupado com a expansão do comunismo russo e consequentemente com o possível cerceamento da liberdade das igrejas.

Mas, apesar dos inúmeras críticas que faz ao Marx-Leninismo, ele mostra profunda consciencia da crise em que a sociedade capitalista estava imersa (ainda está) e defende a urgente necessidade de se fazer uma teologia contextualizada com esta crise, uma teologia disposta a elaborar a significação da esperança cristã e comprometida com o amor e a justiça. 

Shaull defende igreja disposta a não se limitar ao espaço dos templos e cristãos dispostos a ocupar as fábricas, os partidos e a política (não como fazem os evangélicos em suas bancadas parlamentares atualmente, pois entendia que a luta cristã por justiça necessariamente é uma luta contra a manutenção do status quo).

Boa leitura!

17 de mai. de 2017

Eu os enviei ao mundo

Há dois anos, no dia 17 de maio de 2015, partilhei uma reflexão com os irmãos da Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. (Foi minha primeira vez no púlpito, portanto tenham compaixão, rsrs!).

7º domingo na Páscoa, domingo da Ascensão de Jesus. 

Leitura: João 17:13-19

Quero hoje fazer uma reflexão a partir deste trecho que nós lemos, onde Jesus sabendo que era chegada a sua hora, se despede dizendo que era chegada a hora de ir pra junto de Deus, predizendo o momento da sua ascensão aos céus. Jesus também diz neste trecho o que ele viria a repetir no momento em que ele, após a ressurreição, aparece aos discípulos, conforme narrado por João no capítulo 20, verso 21 quando ele diz que assim como o Pai me enviou eu também vos envio. Voltando ao nosso texto base, podemos tirar algumas lições.

31 de mai. de 2016

A Modificação Puritana da Teologia de Calvino

O presbiterianismo, principal ramo do calvinismo do Brasil, chegou aqui através do pastor e missionário estadunidense Ashbel Green Simonton em 1859. Devido esta influencia norte-americana, podemos dizer que a maioria das instituições que se declaram calvinistas são profundamente puritanas, com raras exceções. No artigo que segue, Kendall* demonstra que o calvinismo dos puritanos ingleses difere absurdamente da teologia de Calvino, especialmente quanto à doutrina da certeza da salvação. Calvino, inclusive, acreditava na expiação ilimitada.

3 de set. de 2015

Deus nos livre de um Brasil evangélico

Ricardo Gondim é quem escreveu o texto abaixo, já faz alguns anos (uns 4-5 mais ou menos). Eu pessoalmente acho muito atual e sua leitura é sempre importante para refletirmos o cenário "evangélico" brasileiro. Lembrei-me de um vídeo da patética Ana Paula Valadão dizendo que o carnaval irá acabar, os bares irão fechar, os motéis irão fechar e que as igrejas iriam lotar (ver o vídeo). Que loucura gente! Faço coro ao Gondim e convido-os a leitura do texto que reproduzo abaixo.

15 de mai. de 2014

Neurose de Santidade

Este texto talvez tenha sido o que mais me ajudou e me esclareceu questões acerca da vida cristã até aqui. Cheguei a este texto por volta de 2007/2008, eu adolescente com a mente cheia de questões, vivendo sob o jugo de pertencer a uma "igreja batista" neopentecostal encontrei nesta carta alento para o meu coração.

Foi um divisor de águas na minha vida. De lá pra cá, já indiquei esse texto a muita gente, católicos, pentecostais, reformados e todos me dão um feedback muito positivo sobre ele. Eis a carta